terça-feira, dezembro 06, 2011

Devo substituir as restaurações metálicas por restaurações da cor dos dentes?

Amálgama X Resina composta

Olá leitores!!! Inicio nossa postagem hoje com uma pergunta dificílima de ser respondida. Sendo assim, uma resposta apropriada talvez seja: "depende".

Certa vez, um antigo professor orientou que quando temos dúvida sobre como responder uma pergunta, a resposta mais apropriada e inteligente é "depende". Primeiramente, porque ao respondermos assim ganhamos tempo para elaborar uma resposta adequada. Segundo, porque para várias questões existem inúmeros fatores que concorrem ou modificam a ação final. Reflexões à parte, voltemos à nossa questão de hoje...

Atualmente, existem dois materiais restauradores diretos: o amálgama (metálico) e a resina composta (simula a cor dos dentes). Durante muito tempo, especialmente para os dentes posteriores (pré-molares e molares), apenas o amálgama era indicado, pois as resinas compostas não apresentavam resistência ao desgaste compatível para uso em áreas de grande esforço mastigatório, além de outras limitações deste material. Entretanto, com o passar dos anos, as resinas evoluíram e hoje também podem ser utilizadas nos dentes posteriores.

Dentre as vantagens das resinas, temos principalmente a possibilidade de adesão aos tecidos dentários, o que permite menor desgaste e a estética, pois há a simulação da cor dos dentes. A principal desvantagem está relacionada à possibilidade de infiltração marginal com o passar do tempo, pois as pesquisas demonstram que, apesar da evolução, nenhum material adesivo é capaz de impedir completamente a infiltração marginal a longo prazo.

Com relação ao amálgama, podemos citar como vantagens o longo tempo de uso clínico, apresentando boa resistência ao desgaste e baixos níveis de infiltração marginal. Entretanto, estes materiais precisam de uma cavidade que seja retentiva, pois não há a possibilidade de adesão aos tecidos dentais, o que faz com que os preparos cavitários realizados com brocas sejam mais invasivos. Além disso, o amálgama não é considerado um material estético.

Hoje, a possibilidade de escolha dentre dois materiais é importantíssima, pois permite ao profissional avaliar cada caso específico e optar pelo que melhor se adeque àquela situação. Afinal, todos os materiais restauradores apresentam pontos positivos e negativos, há que se pesar os prós e contras e analisar a situação clínica individualmente.

Contudo, o que falar da troca de restaurações? Apesar de toda a evolução ocorrida nas últimas décadas com relação aos materiais e técnicas restauradoras, em um maior ou menor tempo, haverá a falha das restaurações. Além disso, as condições do meio bucal (nível de higiene, tipo de alimentação, presença de apertamento dental etc) podem acelerar a degradação das restaurações.

A correção destas falhas poderá ser realizada por substituição completa da restauração ou um simples reparo. Quando possível, o reparo é a melhor opção, pois evita um novo acesso com brocas e provável desgaste adicional de  tecido dental.

Se a troca de restaurações pode levar ao desgaste adicional de tecido dental, é importante a manutenção da mesma sempre que possível. Afinal, o princípio da Odontologia hoje é o de mínima intervenção e máxima preservação. Dentro deste contexto, se a troca da restauração metálica por uma restauração de resina composta for por razões puramente estéticas, vale uma reflexão: "Será que esta restauração metálica interfere realmente na estética do sorriso?"

Recomendo, portanto, uma avaliação pessoal sobre qual o maior bem: estética ou função e saúde. Adicionalmente, consulte sempre um profissional qualificado para que o mesmo possa pesar os prós e contras desta substituição e orientá-lo corretamente.

Um forte abraço!!!

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