sábado, novembro 12, 2011

Os limites da estética bucal

Bom dia leitores! 

Inicio esta postagem com um pedido de desculpas pela demora em publicar um novo "post". Afinal, é nosso objetivo publicar periodicamente assuntos interessantes dentro da área da Odontologia para que possamos conquistar a sua atenção rotineira. Hoje convido vocês a refletirem um pouco sobre a estética, especificamente a estética bucal.

Há um lado extremamente positivo com os avanços obtidos em diversas áreas da saúde para que possamos melhorar ou reabilitar qualquer alteração de ordem estética. Nestes casos, as repercussões são bastante significativas, pois promovem a elevação da auto-estima do indivíduo, o que lhe confere segurança e maior poder de comunicação. Além de todos estes benefícios, porque não incluir a promoção de saúde, uma vez que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, "saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças". 

No entanto, apesar de reconhecer a importância da estética nas mais variadas áreas da saúde, verifico um lado negativo com o forte apelo dado pela mídia e, por incrível que pareça, por determinados "profissionais" da saúde, os quais lidam com a valorização da estética com exagero, falta de ética e irresponsabilidade.

Na Odontologia, preocupa-me a valorização exagerada pela necessidade urgente e que sobrepuja as questões de saúde, com o ter dentes extremamente brancos (o que torna-se muitas vezes até artificial) e perfeitamente alinhados. Dentro deste contexto, procedimentos odontológicos de caráter estético passam a ser utilizados inadvertida e desenfreadamente sem critérios rígidos de seleção do caso. 

Por exemplo, as variadas formas de se trabalhar com cerâmica (os laminados são um exemplo) trouxeram a possibilidade de se restaurar a forma, função e estética dos dentes com a utilização de técnicas bastante seguras e avançadas, entretanto, ainda promovem o desgaste de estrutura dental. Neste caso específico, vale uma reflexão: será que devemos indicar irrestritamente o uso destas técnicas para obter dentes absurdamente brancos, milimetricamente alinhados e artificialmente contornados, mesmo que às custas de esmalte dental sadio?

Um outro exemplo pode ser dado com a banalização que tem sido dada ao clareamento dental, pois agentes clareadores de alta concentração têm sido indicados inadvertidamente e por períodos que extrapolam os recomendados pela literatura científica. Os agentes clareadores não são substâncias cosméticas que podem ser selecionadas nas prateleiras e utilizadas mensalmente, ou a cada seis meses, um ano, sem que haja um acompanhamento profissional qualificado. Ainda, nem todas as pessoas podem ser submetidas a este procedimento. Apenas o profissional poderá analisar esta possibilidade.

Bom, lanço esta reflexão e gostaria de ouvir as opiniões de vocês. Afinal, existe charme e beleza em um sorriso que não tenha obrigatoriamente dentes muito brancos e/ou levemente desalinhados.


Um forte abraço neste final de semana e no feriado que está por vir.

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